Pelo menos 6 em cada 10 pessoas que vivem com HIV e Aids já sofreram estigma ou discriminação

É o que mostra estudo realizado pelo Unaids em parceria com diversas organizações, entre elas RNP+, MNCP e Gestos, membros do GT Agenda 2030

Pelo menos seis em cada dez pessoas (64,1%) que vivem com HIV e Aids já sofreram estigma ou discriminação. É o que mostra o estudo “Índice de Estigma em relação às pessoas vivendo com HIV/Aids – Brasil”, realizado pela primeira vez no país e divulgado pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (Unaids) na última terça-feira (10/12), em Brasília. Entre as 1.784 pessoas entrevistadas, 46,3% já ouviram comentários discriminatórios ou especulativos e 41% foram alvos de comentários feitos por membros da própria família.

O estudo foi feito em sete capitais brasileiras entre abril e agosto de 2019 e também revela que muitas das pessoas que vivem com HIV e Aids já passaram por outras situações de discriminação, incluindo assédio verbal (25,3%), perda de fonte de renda ou emprego (19,6%) e até mesmo agressões físicas (6%) devido à sua condição.

“O Unaids tem destacado, a partir de estudos em todo o mundo, que o estigma e a discriminação estão entre as principais barreiras para o acesso a serviços de prevenção e testagem para o HIV. Em relação às pessoas vivendo com HIV/Aids, a discriminação tem se demonstrado como um dos grandes obstáculos para o início e adesão ao tratamento, além de ter um impacto negativo nas relações sociais nos âmbitos familiar, comunitário, de trabalho, entre outros”, disse o diretor interino do Unaids no Brasil, Cleiton Euzébio de Lima.

O estudo foi realizado no Brasil por meio de uma parceria entre diversas organizações e instituições: Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e Aids (RNP+); Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas (MNCP); Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV e Aids (RNAJVHA); Rede Nacional de Mulheres Travestis e Transexuais e Homens Trans Vivendo e Convivendo com HIV/Aids (RNTTHP); Gestos – Soropositividade, Comunicação e Gênero; Unaids; Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud); e Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS).

“Trazer o Índice é trazer voz para as pessoas vivendo com HIV, é visibilizar a voz das pessoas vivendo com HIV, falar do sofrimento mental dessas pessoas, e como isso tudo aprisiona as pessoas em uma condição que não é digna”, disse Jô Meneses, coordenadora de Programas da Gestos. RNP+, MNCP e Gestos são membros do GT Agenda 2030. A RNP+, inclusive, foi homenageada durante o lançamento do Índice de Estigma pelo trabalho desenvolvido na resposta ao HIV e Aids. No dia seguinte, a pesquisa foi apresentada na Comissão de Família e Seguridade na Câmara Federal.

A Meta 3.3 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) prevê acabar, até 2030, com as epidemias de Aids, tuberculose, malária e outras doenças tropicais negligenciadas, além de combater a hepatite, doenças transmitidas pela água e outras doenças transmissíveis.

Com informações do Unaids.

Baixe aqui o Sumário Executivo do Índice de Estigma.

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