Relatório aponta aumento de até um metro no nível do mar até 2100; no mundo, mais de R$ 6 milhões protestam pelas mudanças climáticas

Semana também teve a Cúpula de Ação Climática da ONU e ataques à ativista sueca Greta Thunberg; veja resumo

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), órgão científico criado em 1988 pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), divulgou no último dia 25/09 o Relatório Especial sobre Mudanças Climáticas, Oceanos e Criosfera. O documento, elaborado por mais de 100 autores de 36 países, revela que os oceanos estão mais quentes, mais ácidos e menos produtivos, e que o nível do mar está aumentando 3,6 milímetros por ano – o dobro do verificado no século XX. Caso as emissões de carbono continuem a aumentar intensamente, esses níveis podem superar a altura de um metro até 2100.

O novo relatório do IPCC analisa a literatura científica mais recente relacionada aos oceanos e criosfera (água em estado sólido, como geleiras), referenciando cerca de 7.000 publicações. Como consequência dessas mudanças, o documento prevê a ocorrência de eventos extremos em momentos como maré alta e tempestades fortes. “Há indicadores de que, com qualquer grau de aquecimento global, eventos que ocorriam uma vez a cada século ocorram a cada ano em diversas regiões, aumentando o risco para muitas cidades costeiras abaixo do nível do mar e regiões insulares”, destaca a publicação.

O IPCC também destaca que oceanos se tornarão mais ácidos por causa do aquecimento da água e que o permafrost, isto é, o solo congelado da Rússia, Canadá e Alasca, liberará mais de 1,5 mil gigatoneladas de gases de efeito estufa. Esse volume representa quase o dobro do carbono que atualmente temos na atmosfera. Além disso, a frequência de ondas de calor que vêm do mar pode aumentar em 50 vezes até o final do século XXI, variando 3°C ou 4°C. O relatório deve embasar as próximas negociações sobre o clima e o meio ambiente, como a Convenção Quadro sobre Mudança Climática da ONU (COP25), prevista para ocorrer em dezembro deste ano no Chile.

Publicações como esse relatório do IPCC ajudaram a reforçar os protestos da Semana Global de Ação Climática, que aconteceu de 20 a 27 de setembro. No dia 20, mais de 4 milhões de pessoas, em 163 países, foram às ruas para pedir o fim dos combustíveis fósseis, sendo que o GT Agenda 2030 participou de atividades no Recife em conjunto com diversas organizações.

Já no dia 23/09, durante a Cúpula de Ação Climática, um dos eventos da 74ª Assembleia Geral das Nações, Unidas, cientistas alertaram que as mudanças climáticas estão acontecendo “antes e pior” do que o previsto. Segundo o relatório, elaborado pela OMM, o aquecimento global, o aumento de nível dos mares, a diminuição das geleiras e a poluição por emissão de carbono na atmosfera aceleraram nos últimos anos. Houve um aumento recorde da temperatura média global, que está 1,1°C acima dos níveis pré-industriais (1850-1900) e 0,2°C mais quente do que no período de 2011 a 2015.

A Cúpula da Ação Climática também contou com a presença de pelo menos 500 jovens que ali estavam para discutir o futuro do planeta, entre elas a ativista sueca Greta Thunberg, de 16 anos, que discursou na abertura do evento, no dia 21, e também no painel principal, no dia 23, diante de importantes líderes mundiais. “Vocês roubaram meus sonhos e minha infância com suas palavras vazias”, disse Greta, que criou o movimento Fridays for Future (Sextas-feiras pelo Futuro). Depois disso, a jovem virou alvo de mentiras e deboche entre aqueles que negam as mudanças climáticas, entre eles o presidente norte-americano Donald Trump e o deputado federal Eduardo Bolsonaro.

No total, calcula-se que mais de 6 milhões de pessoas participaram das manifestações da Semana Global pela Ação Climática em centenas de países do mundo. No dia 27/09, foram registrados atos em pelo menos 10 países – no Brasil, houve protesto em São Paulo e em pelo menos outras nove cidades.

Cúpula – Durante a Cúpula de Ação Climática, 87 das maiores empresas do mundo, que juntas detêm 2,3 trilhões de dólares em valor de mercado e mais de 4,2 milhões de funcionários, se comprometeram a cumprir metas climáticas em suas operações. Na lista constam empresas como Ericsson, Electrolux e Nestlé. No campo financeiro, alguns dos maiores fundos de pensão e seguradoras, responsáveis pela administração de mais de 2 trilhões de dólares em investimentos, formaram a Aliança de Proprietários de Bens, comprometendo-se em realizar investimentos em projetos neutros em carbono até 2050.

Ainda dentro da Cúpula do Clima foram lançadas a Campanha Global pela Natureza, cujo objetivo é conservar em torno de 30% dos territórios terrestres e oceânicos da Terra até 2030, e o Painel de Alto Nível para uma Economia do Mar Sustentável. Um total de 2 mil cidades se comprometeram a considerar riscos climáticos como prioridade em suas decisões, planejamentos e investimentos, incluindo o lançamento de projetos urbanos rentáveis e inteligentes para o clima. Veja aqui outras iniciativas anunciadas durante a Cúpula do Clima 2019.

Conheça abaixo os nove pontos definidos na Conferência do Clima que visam impulsionar ações mais ambiciosas de modo a acelerar a implementação do Acordo de Paris, assinado em 2015:

  1. Aprimoramento das mitigações climáticas dentre as maiores nações emissoras de carbono;
  2. Impulsionadores sociais e políticos, como saúde, gênero e segurança;
  3. Mobilização pública da juventude, que facilite a participação dos jovens nas discussões relacionadas;
  4. Transição energética, que inclui aumentar as fontes renováveis, a eficiência energética e o estoque;
  5. Transição no setor industrial, criando comprometimentos maiores dentre os setores com maiores emissores, como do aço e do cimento;
  6. Infraestrutura, cidades e ações locais que intensificam um comprometimento mais ambicioso com baixas emissões de carbono e infraestruturas resilientes para o clima;
  7. Soluções baseadas na natureza, com foco em áreas como floresta, agricultura inteligente e oceanos;
  8. Resiliência e adaptação, com foco em integrar riscos climáticos no âmbito das decisões e negociações públicas e privadas;
  9. Financiamento climático e precificação de carbono, direcionando o setor financeiro para o desenvolvimento resiliente, com baixas emissões de gases de efeito estufa.

Com informações da ONU eG1/O Globo

Foto: Aline Dassel/Pixabay

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