Brasília recebe 1ª Marcha das Mulheres Indígenas e Marcha das Margaridas

Mobilizações vão levar à capital federal milhares de mulheres de todos os cantos do país, que vão marchar por direitos, pela democracia e por justiça social

Milhares de mulheres de todos os cantos do país estarão reunidas em Brasília (DF) entre os dias 9 e 14 de agosto. De 9 a 13, acontece a 1ª Marcha das Mulheres Indígenas, com o tema “Território: nosso corpo, nosso espírito”, com a expectativa de reunir cerca de duas mil mulheres indígenas dos mais diferentes povos. Já nos dias 13 e 14, a Esplanada dos Ministérios receberá em torno de 100 mil mulheres do campo, da cidade, da floresta e das águas na 6ª Marcha das Margaridas, cujo tema é “Margaridas na luta por um Brasil com Soberania Popular, Democracia, Justiça, Igualdade e Livre de Violência”.

De acordo com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), a 1ª Marcha das Mulheres Indígenas, decidida durante o Acampamento Terra Livre 2019, tem como objetivo visibilizar as ações das mulheres indígenas, trazendo à ordem do dia questões relativas às suas diversas realidades, “reconhecendo e fortalecendo os seus protagonismos e capacidades na defesa e na garantia dos direitos humanos, em especial o cuidado com a mãe terra, com o território, com o corpo e com o espírito”.

Uma das porta-vozes do movimento das mulheres indígenas, Ro’Otsitsina, disse ao El País que uma das questões que precisam ser tratadas é a violência de gênero e que é preciso combater o machismo nas aldeias. “Dizer que nós mulheres indígenas não enfrentamos violência é mentira. Sim, existe, só que às vezes é uma violência velada. Às vezes camuflada pela própria mulher, às vezes pela família, ou pela liderança”, declarou.

De 9 a 12, na capital federal, ocorrerá o Fórum Nacional das Mulheres Indígenas, ocasião em que serão discutidas as afrontas aos direitos indígenas na atual conjuntura política. “No marco da unidade e do fortalecimento, a ideia é que nos somemos à Marcha das Margaridas, ato que reúne mulheres do campo e da floresta, numa grande manifestação nacional em prol dos direitos e protagonismo da mulher, a partir de uma nova visão de desenvolvimento sustentável e justiça social”, diz a Apib.

A Marcha das Margaridas é a maior mobilização de mulheres da América Latina, uma ação coletiva que acontece a cada quatro anos e que já integra a agenda permanente dos movimentos sindical, feministas e de mulheres. Segundo Sílvia Camurça, da equipe do Instituto Feminista para a Democracia SOS Corpo, e que participa da organização da Marcha, trata-se de um instrumento importante para o fortalecimento do movimento de mulheres no Brasil.

“Esse ano elas não têm uma pauta de negociação como tiveram em outros, que a gente começava a acompanhar a negociação seis meses antes. Elas apresentavam aos Ministérios com as parceiras, a coordenação ia a vários Ministérios apresentando as reivindicações e quando a Marcha chegava em Brasília, o governo dava o retorno. Tanto o governo Lula, quanto o governo Dilma se encontraram depois da passeata para dizer daquela negociação o que é que ficou aprovado. Esse ritual não vai ter porque depois do golpe de 2016 a coordenação da Marcha concluiu que essa Marcha deveria ter um caráter diferente, um caráter de contestação e não de negociação. Porque não há o que negociar”, explicou Sílvia.

A Marcha das Margaridas é coordenada pela Confederação Nacional de Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), suas 27 federações e mais de 4 mil sindicatos filiados, em parceria com quase 20 organizações da sociedade civil.

As duas marchas, a das indígenas e a das margaridas, mostram o protagonismo das mulheres e dialogam diretamente com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nº 5 da Agenda 2030 de desenvolvimento sustentável, que prevê alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas, para que ninguém fique para trás.

Com informações da Apib, do El País e do SOS Corpo.

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