Sétimo Fórum de Financiamento para o Desenvolvimento começa entre uma confluência de crises

Nova York – Inicia hoje e vai até quinta-feira, dia 28/4, o VII Fórum do Financiamento para o Desenvolvimento, sob os auspícios do Conselho Econômico e Social (Ecosoc) da ONU.

Dentre os diversos temas de economia e finanças sendo debatidos no fórum, encontra-se a perspectiva de uma nova grande crise global baseada em dívidas externas de países sem capacidade de pagamento. 

Inflação global e problemas nas cadeias de valor do comércio internacional também é uma grande preocupação, dois problemas que são consequência da pandemia Covid-19, que, por sinal, continua ativa apesar do arrefecimento após a distribuição, mesmo que desigual, de vacinas.

Outro tema quente que volta à pauta de debates é CBDR, ou Responsabilidades Comuns mas Diferenciadas, após relatório do IPCCC revelar que mais de 80% das emissões de gases que causam os problemas climáticos são oriundos das economias desenvolvidas. Este foi o principal ponto de contenção na III Conferência Internacional do Financiamento para o Desenvolvimento, em Addis Ababa, 2015. Inclusive com ameaça dos países ricos em cortarem ajuda oficial para o desenvolvimento aos países africanos caso insistissem em manter CBDR na resolução final. A União Africana cedeu na época.

E, dentre todos os temas a serem discutidos, inclui uma proposta que vem sendo demandada pela sociedade civil organizada há quatro anos, mesmo antes da crise pandêmica: a necessidade de convocar uma quarta Conferência Internacional FfD, pois a arquitetura financeira global precisa ser revisada, inclusive com a possibilidade de re-pactuar e refundar as instituições Bretton Woods (FMI e Banco Mundial).

A guerra perpetrada pela Rússia contra a Ucrânia e o choque global no preço do petróleo em consequência, são temas urgentes e imediatos a serem discutidos profundamente, inclusive com uma perspectiva de diminuição da dependência da cadeia de valor do ouro negro. 

A humanidade está ficando sem tempo suficiente para conseguir reverter os efeitos da crise ambiental que criou e que coloca a vida no planeta em risco. O VII Fórum FfD se inicia num momento quando há uma grande falta de líderes com coragem suficiente para desmontar privilégios e investir nos ODS de forma sincera. Enquanto isso, a sociedade civil organizada, a principal protagonista na implementação da Agenda 2030 no mundo, continua sua batalha por recursos para continuar a fazer seu importante trabalho. Esperemos que o Fórum deste ano encontre algumas saídas sob o ponto de vista do financiamento para um desenvolvimento que seja sustentável.

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Claudio Fernandes, economista da Gestos e do GT Agenda 2030, representante do Brasil no VII Fórum FfD.

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