Leia a Carta da Amazônia 2021: ‘na defesa de uma economia capaz de conviver com a floresta, garantir direitos e distribuir renda’

Com o objetivo de debater alternativas para o desenvolvimento sustentável, o Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS) e a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) reuniu indígenas, extrativistas e quilombolas no Encontro Amazônico da Sociobiodiversidade, em Belém do Pará. Um dos resultados do evento foi a elaboração de uma carta endereçada aos participantes da COP-26.

Confira a carta na íntegra

Não podia ser mais estratégico para nós, Povos Indígenas, Populações e Comunidades Tradicionais brasileiras, reafirmarmos a defesa da sociobiodiversidade amazônica neste momento em que o mundo volta a debater a crise climática na COP26. Uma crise que atinge em todos os contextos os viventes da terra! As sociedades e os movimentos sociais mundiais conhecem muito bem quem são os governos e os agentes econômicos responsáveis pela crise ambiental no planeta. Mas no Brasil há um processo político de pressão socioambiental que busca transferir para nós o problema causado pelas mudanças do clima.

O Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS) e a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) reuniu indígenas, extrativistas e quilombolas, em Belém, no Pará, para o Encontro Amazônico da Sociobiodiversidade, um evento realizado em contraposição ao Fórum Mundial da Bioeconomia, sediado também em Belém, pelo Governo do Estado do Pará, no mesmo período. O Encontro Amazônico da Sociobiodiversidade reafirmou, com a representação de 30% dos territórios protegidos e a participação de diversos representantes das populações tradicionais da Amazônia, do Cerrado e da Costa brasileira, o compromisso na defesa de uma economia capaz de conviver com a floresta, garantir direitos e distribuir renda de forma justa e propôs alternativas produtivas, ambientais e econômicas, além de orientar politicamente os movimentos socioambientais para resistir ao modelo hegemônico que avança em escala regional, nacional e internacional, por meio do uso da economia da destruição ambiental, movida pelas empresas transnacionais, governos nacionais e subnacionais.

Nossos territórios protegidos e direitos respeitados são as reivindicações dos movimentos sociais e ambientais brasileiros. Não compactuamos com qualquer tentativa e estratégia baseada somente na lógica do mercado, com empresas que apoiam legislações ambientais que ameaçam nossos direitos e com mecanismos de financiamento que não condizem com a realidade dos nossos territórios. Propomos o que temos de melhor: a experiência das nossas sociedades e culturas históricas, construídas com base em nossos saberes tradicionais e ancestrais, além de nosso profundo conhecimento da natureza.

A sociobioeconomia que defendemos está alinhada com a ciência e a tecnologia para melhorar a coleta dos produtos florestais e da pesca, que nos permitam processar, armazenar e comercializar os produtos da sociobiodiversidade respeitando os nossos modos de vida. Somos contra processos de inovação que resultem em pacotes tecnológicos e sistemas de produção de altos insumos, difundidos para substituir a floresta nativa por monocultivo de variedades geneticamente uniformes, com o objetivo de atender a indústria de alimentos e depois serem falsamente propagados como sistemas ambientalmente adequados. Inovação, para nós, não pode resultar em processos que venham ameaçar nossos territórios, as nossas formas tradicionais e harmônicas de viver e produzir.

Diante desta ameaçadora realidade, nós, Povos Indígenas, Populações e Comunidades Tradicionais reunidos no Encontro Amazônico da Sociobiodiversidade, reafirmamos às autoridades governamentais mundiais e representantes do setor empresarial, participantes da COP26, o nosso papel de protetores e defensores do patrimônio natural brasileiro. A nossa luta histórica, que resultou na Aliança dos Povos da Floresta, nascida na Eco92, se mantém forte e ativamente comprometida com os desafios atuais, muitos dos quais já enfrentamos no passado. Vamos seguir unidos e atuantes por meio da luta social, da luta política e da solidariedade ambiental com a vida e a natureza!

Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS)

Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos (CONAQ) Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) Coordenação das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (COICA) Articulação Nacional de Agroecologia (ANA AMAZÔNIA)

Comissão Nacional de Fortalecimento das Reservas Extrativistas Costeiras e Marinhas (CONFREM)

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