Ativistas se reúnem para antecipar o 25º ano da Conferência Internacional da Mulher de Beijing

Série de cinco encontros acontecerá no formato virtual dando oportunidade para que negras, quilombolas, indígenas, imigrantes e LBTI indiquem avanços e retrocessos obtidos de 1995 para cá, no Brasil

Junto com a aceleração de casos de Covid-19, o Brasil passou a acompanhar uma escalada no volume de registros de violência contra a mulher, a partir do momento da adoção das primeiras medidas de isolamento social por parte de estados e municípios. Um relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), produzido a pedido do Banco Mundial, mostrou que os casos de feminicídio cresceram 22,2%, entre março e abril deste ano, em 12 estados do país, comparativamente ao ano passado.

Intitulado Violência Doméstica durante a Pandemia de Covid-19, o documento foi criado tendo como referência dados coletados nos órgãos de segurança dos estados brasileiros. Ele escancara um triste recorde conquistado pelo país que não vem de agora. O Brasil é o quinto lugar do mundo mais perigoso para mulheres. A cada 4 minutos uma delas é agredida no país e a cada intervalo de quatro horas, uma acabará morta.

A preocupação com a violência aqui e no mundo, foi um dos temas que fez parte da 4ª Conferência Mundial sobre as Mulheres, que ficou conhecida como a Conferência de Beijing, realizada na capital chinesa em 1995, o maior evento internacional sobre igualdade de gênero realizado até hoje.

Em setembro ele completa 25 anos.  Mas antes disso, será lembrado numa série de encontros organizados pela Redbrap (Rede Brasileira de População e Desenvolvimento) e a Cepia (Cidadania, Estudo, Pesquisa, Informação e Ação), organizações voltadas para a luta por direitos. Programados para serem realizados presencialmente em cinco importantes capitais dos estados das regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste, em virtude da pandemia de Coronavírus foram formatados como conferências virtuais transmitidas ao vivo pela internet.

Os cinco debates acontecerão entre os próximos dias 29/06 e 03/07 e poderão ser acompanhados pela plataforma Youtube, no endereço: https://www.youtube.com/rebrapd/live . As transmissões serão sempre das 9h às 12h e das 13h30 às 16h30.

“O nosso objetivo é ampliar a pluralidade de vozes e diminuir nossas inúmeras desigualdades regionais. Por isso convidamos ativistas mulheres negras, quilombolas, indígenas, LBTI e imigrantes, prioritariamente das regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste do Brasil, para refletir os avanços, lacunas e desafios dos direitos das mulheres no Brasil. Convidamos todas as pessoas para esta discussão, com objetivo de articular o global e o local na promoção de uma agenda de desenvolvimento sustentável, baseada na igualdade de gênero”, explica um dos organizadores, Richarlls Martins, da Rede Brasileira de População e Desenvolvimento (REBRAPD).

A iniciativa faz parte da Plataforma Beijing + 25 Brasil” que, além de revisar os 25 anos que sucederam o encontro realizado na China e que reuniu representantes de 189 governos e mais de 5 mil representantes de Organizações Não Governamentais, quer relembrar dos 5 anos da criação da Agenda 2030, conjunto de medidas e metas assinadas por 193 países, incluindo o Brasil, que são um plano de ação para a melhoria das condições de vida da população e do planeta e entre outras coisas preveem a erradicação da fome, a redução ou extinção do impacto das mudanças climáticas e a promoção da igualdade de gênero no mundo.

Richarlls lembra que entre 2003 e 2015, o Brasil estabeleceu marcos institucionais importantes como o Estatuto da Igualdade Racial, a Lei da Imigração, o Estatuto do Idoso, o Estatuto da Juventude, a Política Nacional de Saúde Integral da População LGBT, o Subsistema de Atenção aos Povos Indígenas, a PEC das Domésticas e especialmente a Lei Maria da Penha, instrumentos legais fundamentais que possibilitaram avanço no campo dos direitos das mulheres. Mas desde o impeachment em 2016 experimenta maior dificuldade na implementação de políticas públicas com foco nos direitos das mulheres, especialmente mulheres negras, indígenas, de comunidades tradicionais e periféricas. “Existem barreiras estruturais severas que impedem a implementação de ações integradas, sistêmicas e contínuas na garantia da vida segura e sem violência de mulheres e meninas no Brasil”, ressalta ele.

A Plataforma Beijing + 25 Brasil” tem o apoio financeiro da União Europeia (EU), e foi um dos projetos selecionado em um edital do Grupo de Trabalho da Sociedade Civil para a Agenda 2030, GT Agenda 2030, no final de 2019.

O GT Agenda 2030 reúne 48 entidades de diferentes setores que, juntas, cobrem todas as áreas dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que devem ser alcançados até o ano de 2030. Ele atua na difusão, promoção e monitoramento da Agenda 2030 e busca divulgar os ODS, mobilizar a sociedade civil e incidir politicamente junto ao governo brasileiro e o sistema das Nações Unidas para a sua implementação. O GT é financiado pela União Europeia.

Programação:

Dia: 29/06 – Mulheres LBTI e Negras no contexto da COVID-19

9h às 9h15: Mesa de Abertura
Richarlls Martins, coordenador da REBRAPD/GTSC A2030
Symmy Larrat, presidente da ABGLT/GTSC A2030
Jacqueline Pitanguy, coordenadora da CEPIA

9h15 às 11h: 1995 – 2020: Avanços e desafios na agenda de gênero, sexualidade e raça no Brasil
Valdecir Nascimento, secretária executiva da Articulação de Organizações de Mulheres Negras do Brasil/AMNB
Keila Simpson, presidente da Associação Nacional de Travestis e Transexuais/ANTRA
Coordenação: Jacqueline Pitanguy, coordenadora da CEPIA

11h às 12h: COVID-19 e igualdade de gênero: mulheres LBTI negras e educação
Thiffany Odara, integrante do Fórum Nacional de Travestis e Transexuais Negras e Negros/FONATRANS e educadora social
Naiara Leite, coordenadora de programa do Odara-Instituto da Mulher Negra
Coordenação: Dai Costa, educadora e articuladora política da Articulação Nacional de Negras Jovens Feministas/BA

13h30 às 14h30: COVID-19 e igualdade de gênero: mulheres LBTI negras e saúde
Emanuelle Goés, pesquisadora do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde/CIDACS da Fiocruz
Altamira Simões, articuladora nacional da Rede Nacional de Lésbicas e Mulheres Bissexuais Negras Feministas/Candaces
Coordenação: Talita Rodrigues, integrante do Coletivo Mangueiras-Jovens pelos Direitos Sexuais e Reprodutivos-PE/GTSC A2030

14h30 às 15h30: COVID-19 e igualdade de gênero: mulheres LBTI negras e trabalho
Creuza Maria Oliveira, secretária geral da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas/FENATRAD e presidenta do Sindicato das Trabalhadoras Domésticas da Bahia
Jész Ipólito, integrante da Articulação Nacional de Negras Jovens Feministas
Coordenação: Candida Souza, articuladora do Coletivo LGBT+ Leilane Assunção/RN

15h30 às 16h30: Beijing+25 na pandemia: Agenda 2030 , mulheres LBTI e negras
Sandra Munhoz, integrante da Rede AfroLGBT
Denise Botelho, professora da Universidade Federal Rural de Pernambuco/UFRPE
ONU MUlheres no Brasil
Coordenação: Cris Nascimento, integrante da Rede de Mulheres Negras do Nordeste/PE

Dia: 30/06 – Mulheres Quilombolas e Negras no contexto da COVID-19 –

9h às 9h15: Mesa de Abertura
Richarlls Martins, coordenador da REBRAPD/GTSCA 2030
Carolina Mattar, secretária executiva do IDS/GTSCA 2030
Débora Pinheiro, colaboradora da CEPIA

9h15 às 11h: 1995 – 2020: Avanços e desafios na agenda de gênero, território e raça no Brasil
Edna Andrade, coordenadora estadual da Coordenação Nacional de Comunidades Quilombolas/CONAQ-PE
Mônica Oliveira, membro da coordenação da Rede de Mulheres Negras de Pernambuco
Coordenação: Débora Pinheiro, colaboradora da CEPIA

11h às 12h: Promoção dos direitos no acesso à terra e o debate de gênero e raça
Vera Baroni, fundadora do Uiala Mukaji-Organização de Mulheres Negras de Pernambuco
Elida Lauris, coordenadora da Terra de Direitos
Coordenação: Sylvia Siqueira, diretora da Mirim Brasil/GTSC A2030

13h30 às 14h30 Mulheres quilombolas e direitos na pandemia
Francileide Bezerra da Cruz, coordenadora estadual da CONAQ/RN
Xifronese Santos, coordenadora estadual da CONAQ/SE
Coordenação: Espedita Quilombola, vereadora de Betânia/PE

14h30 às 15h30: COVID-19 e a articulação das mulheres negras no Nordeste
Piedade Marques, Rede de Mulheres Negras do Nordeste/PE
Francisca Sena, Rede de Mulheres Negras do Nordeste/CE
Coordenação: Jenair Alves, Rede de Mulheres Negras do Nordeste/RN

15h30 às 16h30: Beijing+25 na pandemia: Agenda 2030, mulheres quilombolas e negras
Givânia Conceição Silva, fundadora da CONAQ e membro do Comitê Mulheres Negras rumo a um Planeta 50-50 em 2030
ONU Mulheres (convidada)
Coordenação: Rosa Marques, Rede de Mulheres Negras do Nordeste/PE

Dia 01/07 – Mulheres Indígenas no contexto da COVID-19

9h às 9h15: Mesa de Abertura
Richarlls Martins, coordenador da REBRAPD/GTSC A2030
Alessandra Nilo, coordenadora da Gestos/GTSC A2030
Débora Pinheiro, colaboradora da CEPIA

9h15 às 11h: 1995 – 2020: Avanços e desafios na agenda das mulheres indígenas no Brasil
Célia Xakriabá, Articulação Nacional das Mulheres Indígenas e co-organziadora da I Marcha das Mulheres Indígenas no Brasil
Darlene Yaminalo Taukane, coordenadora do Instituto Yukamaniru de Apoio às Mulheres Indígenas Bakairi
Coordenação: Débora Pinheiro, colaboradora da CEPIA

11h às 12h: Violências e as mulheres indígenas
Watatakalu Yawalapiti, coordenadora do Movimento de Mulheres Indígenas do Xingu e ATIX MULHER
Cristiane Julião Pankararu, membro da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do NE, MG e ES/APOINME
Coordenação: Leticia Yawanana, coordenadora da Organização de Mulheres Indígenas do Acre, sul do Amazonas e noroeste de Rondônia

13h30 às 14h30: Comunicação, dados e informação na promoção da saúde das mulheres indígenas
Guta Assirati, Centro de Trabalho Indigenista/CTI e ex-presidente da FUNAI
Priscila Tapajoara, co-coordenadora da Mídia Índia
Coorrdenação: Naine Terena, professora da Faculdade Católica de Mato Grosso

14h30 às 15h30: Diálogo intergeracional e intercultural entre mulheres indígenas na pandemia
Rayanne Baré, colaboradora da Rede de Juventude Indígena – REJUIND
Glicéria Tupinambá, coordenadora do Movimento Unidos dos Povos Indígenas da Bahia/MUPOIBA
Coordenação: Amanda Costa, coordenadora do GT ODS do Engajamundo/GTSC A2030

15h30 às 16h30: Beijing+25 na pandemia: Agenda 2030 e mulheres indígenas
Kuña Aranduhá, membra da Grande Assembleia de Mulheres Indígenas Guarani e kaiowá Kunangue Aty Guasu e membro do Grupo Assessor da Sociedade Civil Brasil da ONU Mulheres no Brassil (2017-2019)
ONU Mulheres (convidada)
Coordenação: Graciela Guarani, membro da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do NE, MG e ES/APOINME

Dia: 02/07 – Mulheres negras no contexto da COVID-19

9h às 9h15: Mesa de Abertura
Richarlls Martins, coordenador da REBRAPD/GTSC A2030
Suelaine Carneiro, coordenadora de programa do Geledés – Instituto da Mulher Negra/GTSC A2030
Débora Pinheiro, colaboradora da CEPIA

9h15 às 11h: 1995 – 2020: Avanços e desafios na agenda de gênero e raça no Brasil
Fátima Matos, coordenadora regional Norte da Rede Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos
Durica Almeida, coordenadora do Instituto de Mulheres Negras do Amapá/IMENA
Coordenação: Débora Pinheiro, colaboradora da CEPIA

11h às 12h: Igualdade de Gênero e ODS
Suelaine Carneiro, coordenadora de programa do Geledés – Instituto da Mulher Negra/GTSC A2030
Gada’, secretária geral do LESBIPARA/Movimento de Mulheres Lésbicas e Bissexuais
Coordenação: Viviana Santiago, gerente de gênero e incidência política da Plan Internacional Brasil/GTSC A2030

13h30 às 15h30: COVID-19 e a articulação das mulheres negras no Norte
Amine Carvalho Mastub, Associação de Mulheres Negras do Acre
Bianca Pereira, Articulação de Mulheres Negras e Quilombolas do Tocantins/ALAGBARA
Julia Monteiro, Coletiva Banzeiro Feminista do Amazonas
Maria Luiza Nunes, Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará/CEDENPA
Coordenação: Nelita Frank, Núcleo de Mulheres de Roraima/NUMUR

15h30 às 16h30: Beijing+25 na pandemia: Agenda 2030 e mulheres negras
Nilma Bentes, fundadora do CEDENPA e co-criadora da Rede Fulanas NAB [Negras da Amazônia Brasileira]
ONU Mulheres (convidada)
Coordenação: Leide Aquino, Fórum de Mulheres da Região do Alto Acre

Dia: 03/07 – Mulheres imigrantes no contexto da COVID-19

9h às 9h15: Mesa de Abertura
Richarlls Martins, coordenador da REBRAPD/GTSC A2030
Fabiana Kent Paiva, assessora de advocay e mobilização da Visão Mundial/GTSCA 2030
Leila Linhares Barsted, coordenadora da CEPIA

9h15 às 11h: 1995 – 2020: Avanços e desafios na agenda da imigração e gênero no Brasil
Ruth Aragon de Viloria, imigrante venezuelana em Boa Vista e integrante da Incubadora CEIDS
Marcela Bonvicini, pesquisadora de gênero e imigração PPGL/UFRR
Coordenação: Leila Linhares Barsted, coordenadora da CEPIA

11h às 12h: Igualdade de Gênero e Economia Solidária
Amanda Gomes, coordenadora do projeto “Ven, Tu Puedes!”/Visão Mundial/Roraima
Aronny Evans, imigrante venezuelana em Boa Vista e líder regional do Movimento Solar Livre Brasília
Coordenação: Xica da Silva, membro da coordenação do Fórum Brasileiro de Economia Solidária/GTSC A2030

13h30 às 15h30: Desafios da resposta humanitária de atenção às mulheres imigrantes
Aumarys Pahola Fernandez Rivero, imigrante venezuelana abrigada em Boa Vista/RR e estudante de filosofia da UFRR
Andrea Vasconcelos, integrante do Núcleo de Mulheres de Roraima/NUMUR
Tania Miranda, oficial associada de Proteção do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados/ACNUR
Flávia de Moura Muniz , gerente de Empoderamento Econômico em Ação Humanitária da ONU Mulheres
Coordenação: Andreza Trajano, coordenadora de saúde sexual e reprodutiva do UNFPA para Roraima e Amazonas

15h30 às 16h30: Beijing+25 na pandemia: Agenda 2030 e mulheres imigrantes
Nilsa Hernandez, imigrante venezuelana em Boa Vista e coordenadora geral da Organización Valientes por la Vida
Tamara Jurberg, gerente de Liderança e Participação em Ação Humanitária da ONU Mulheres
Coordenação: Mariana Pereira, professora da Universidade Federal de Roraima

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um comentário

  • LINDINEIDE BELEM DE FREITAS

    PARABÉNS DARLENE TAUKANE , indígena de Bakaíri de Paranatinga-MT, mulheres nos representando isto é muito importante. Muito obrigado por essa luta

    Curtido por 1 pessoa

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