Pandemia da violência de gênero emerge de forma mais silenciosa, diz novo relatório da ActionAid

Organização monitorou as usuárias de serviços e os encaminhamentos de mulheres para abrigos e linhas diretas no Brasil e em sete países da Europa, África, Ásia e Oriente Médio

Os isolamentos e toques de recolher adotados em diversos países como forma de reduzir a propagação do novo coronavírus estão evidenciando a emergência de uma nova pandemia, esta mais silenciosa: a da violência de gênero. É o que mostra um novo relatório da ActionAid publicado no último dia 25/06, resultado do monitoramento de usuárias de serviços e os encaminhamentos de mulheres para abrigos e linhas diretas no Brasil e em sete países da Europa, África, Ásia e Oriente Médio.

A publicação “Sobrevivendo à Covid-19: por uma resposta voltada para mulheres” revela que essas medidas restringiram o acesso das vítimas às medidas de socorro e causaram o fechamento de abrigos de proteção. Sem emprego e sem proteção social, as mulheres acabaram ficando mais expostas aos agressores dentro de suas casas ou foram obrigadas a retomar o convívio com eles. Em Bangladesh, por exemplo, houve um aumento de 983% nos casos de violência doméstica em março e abril deste ano, na comparação com o mesmo período de 2019. Na Nigéria e na Palestina, esse salto foi de 700%.

“As evidências coletadas para este documento nos apontam que mulheres estão sofrendo as consequências. São Trabalhadoras da saúde, educadoras domésticas, cuidadoras, enfrentando desemprego sem proteção social e com enormes lacunas no acesso a serviços públicos. Isso cria um ciclo de aprisionamento. O acesso de mulheres e meninas à tecnologia em muitos contextos é limitado e o telefone ou a internet geralmente são controlados por parentes do sexo masculino, bloqueando opções de para buscar apoio ou fuga”, diz o relatório.

Brasil – No Brasil, de acordo com a publicação, o feminicídio já tinha aumentado 7,3% em 2019 na comparação com o ano anterior. “Agora, a violência doméstica está se aprofundando, na medida em que as mulheres estão em isolamento social junto com o agressor. Em março e abril de 2020, 143 mulheres foram mortas em 12 estados, um aumento de 22% no feminicídio em relação ao ano passado, de acordo com dados coletados por agências de segurança”, continua o relatório, que apresenta recomendações para que os governos possam prevenir e responder à violência de gênero, a seção mais subfinanciada da Resposta Global à Covid-19, com apenas 0,3%.

O estado brasileiro com piores índices é o Acre, onde o aumento do assassinato de mulheres por questões de gênero foi de 300%. Nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo, houve um aumento de cerca de 50% dos casos de violência doméstica. Em estados da região Nordeste, como Rio Grande do Norte, os serviços não fecharam, porém tiveram suas jornadas e equipes reduzidas. Nivete Azevedo, do Centro de Mulheres do Cabo, relatou que a Casa de Referência das Mulheres, que funciona no litoral de Pernambuco, teve sua operação interrompida por 15 dias porque 90% da equipe contraiu a Covid-19.

“A ActionAid tem investido no fortalecimento da autonomia das mulheres e em espaços exclusivos para que mulheres possa conhecer e compartilhar seus problemas – espaços que forneçam apoio, onde se façam campanhas contra a violência doméstica e onde elas se fortaleçam para gerar seus próprios negócios. Isso tudo está parado agora por causa do isolamento. E essas mulheres não devem ser deixadas para trás”, comentou Glauce Arzua, da ActionAid Brasil, uma das organizações que integram o Grupo de Trabalho da Sociedade Civil para a Agenda 2030 (GT Agenda 2030).

Acesse aqui o relatório completo.

Com informações da ActionAid Brasil

Foto: Reprodução/ActionAid

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