Justiça socioambiental e saneamento no Rio de Janeiro: pensando as cidades em tempos de pandemia

Artigo de Guilherme Franco Netto, especialista de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, Ambiente e Sustentabilidade da Fiocruz, apresentado durante o debate de mesmo nome realizado pelo GT Agenda 2030 no dia 28 de maio de 2020

Por Guilherme Franco Netto

1. IMPACTOS URBANOS DA COVID-19

“A COVID-19, que emanou da natureza, mostrou como a saúde humana está intimamente ligada com a relação que temos com o meio ambiente. À medida que invadimos a natureza e esgotamos habitats vitais, um número crescente de espécies está em risco. Incluindo a Humanidade e o futuro que queremos”, destacou Antônio Guterres no dia Mundial da Biodiversidade, 22 de maio de 2020 (1).

O mundo está passando por uma crise sem precedentes, à medida que o COVID-19 continua a se espalhar, com dezenas de milhares de vidas perdidas e mais de duzentos países afetados. Em apenas alguns meses, a pandemia transformou a maneira como vivemos, trabalhamos, viajamos e socializamos. As cidades do mundo geralmente estão reagindo rapidamente a essa crise humanitária urbana e como elas respondem é fundamental para proteger sua população, deter a pandemia e preparar o cenário para a resiliência e a recuperação (2).

O impacto do COVID-19 será mais devastador em áreas urbanas pobres e densamente povoadas, especialmente para o bilhão de pessoas que vivem em assentamentos informais e favelas em todo o mundo, bem como para refugiados, deslocados internos e migrantes. É necessária uma ação urgente para ajudá-los a permanecer seguros e saudáveis, pois medidas para retardar a transmissão, como distanciamento físico, auto-quarentena ou bloqueios em toda a comunidade, são quase impossíveis nessas áreas superlotadas e até mesmo as medidas mais básicas de higiene são desafiadoras, pois água e sabão geralmente não estão disponíveis para lavar as mãos. A falta de emprego regular significa que as pessoas ainda estão se mudando para fora de suas casas para procurar trabalho para atender às suas necessidades diárias de sobrevivência. Enquanto isso, as ordens de permanência em casa estão colocando mulheres e meninas em maior risco de violência e impedindo-as de acessar serviços de proteção e redes sociais.

  • Mais de 1.430 cidades em 210 países afetados pelo Covid-19
  • Mais de 95% do total de casos em áreas urbanas
  • 1 bilhão de pessoas vivem em assentamentos informais e favelas em moradias superlotadas e inadequadas
  • 2,4 bilhões de pessoas não têm acesso adequado a água potável e saneamento

Na América Latina e no Caribe, os desafios do COVID-19 incluem acesso desigual à saúde serviços, juntamente com o grave impacto econômico devido ao declínio no comércio, fabricação e turismo, resultando em maior desemprego e menores salários. Existe o risco de maior desigualdade, aumento da pobreza e níveis mais altos de emprego informal em uma região em que mais da metade da força de trabalho já está no setor informal. O ONU-Habitat ajudará a capacitar as autoridades locais para responder à crise, particularmente em assentamentos informais, mitigar o impacto econômico sobre os pobres urbanos e participar de esforços regionais mais amplos para trazer investimentos para áreas vulneráveis, como assentamentos informais e promover a recuperação após uma pandemia.

2. OBJETIVOS DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL – AGENDA 2030 – ODS 6 (3)

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são um conjunto de 17 objetivos globais incorporados à Agenda 2030 das Nações Unidas, firmada na Cúpula do Desenvolvimento Sustentável da ONU, em 2015. Trata-se de uma agenda fortemente orientada pelos direitos humanos, o que se expressa com clareza nos temas do abastecimento de água, esgotamento sanitário e higiene, uma vez que o documento que introduz a agenda1 explicitamente se refere a “um mundo no qual reafirmamos os nossos compromissos relativos ao direito humano à água potável e ao saneamento, onde há uma melhor higiene (…)”. Ao mesmo tempo, a Agenda 2030 estabelece, em um objetivo unicamente dedicado a essas questões, o ODS 6, a necessidade de “garantir disponibilidade e manejo sustentável da água e esgoto para todos”. O ODS 6 compreende oito metas, sendo as duas primeiras de particular interesse para os propósitos deste trabalho, e as metas 6a e 6b referindo-se a meios de implementação (ver Box).

O objetivo principal deste relatório é o de contribuir para a avaliação e monitoramento do estágio de cumprimento das metas relativas aos serviços de abastecimento de água, esgotamento sanitário e higiene (ODS 6.1 e 6.2) nos países da América Latina e Caribe, tendo como base o marco analítico dos direitos humanos. Além de se examinarem as condições de acesso aos serviços e instalações e compará-las entre países e entre subgrupos e regiões em nível subnacional, o relatório dá ênfase às dimensões dos direitos humanos mais negligenciadas nos esforços de monitoramento dessas metas, a saber, desigualdade e acessibilidade financeira.

Primeiramente, em uma visão geral do acesso a serviços de abastecimento de água, esgotamento sanitário e higiene nos países e blocos sub-regionais, o Haiti mostra-se um caso à parte, com níveis de acesso aos três tipos de serviços consideravelmente inferiores aos dos outros países da região. No outro extremo, o Chile é o único país da América Latina e Caribe a apresentar um acesso praticamente universal a serviços “pelo menos básicos” de abastecimento de água e esgotamento sanitário. O maior nível de acesso a esses serviços, considerando os blocos sub-regionais como um todo, é o do Cone Sul e o menor, o do Caribe.

Uma das maiores dificuldades da avaliação e monitoramento dos níveis de acesso é a deficiência ou inexistência de informações sobre determinadas variáveis que compõem os conceitos de serviços de água e esgotos “geridos de forma segura” e serviços “básicos” de higiene. Em relação aos serviços de abastecimento de água, a maior limitação está na carência de dados relativos à disponibilidade (que permitam avaliar o critério “água disponível quando necessária”) e à qualidade da água (necessários para avaliar o critério “água livre de contaminação fecal ou química”). No caso dos serviços de esgotamento sanitário, o maior desafio é a obtenção de dados relacionados à disposição e tratamento dos efluentes, excretas e lodo de fossas. Em relação à higiene, embora as últimas edições das pesquisas MICS e DHS já abordem o tema, ainda são poucos os países que possuem dados suficientes para classificar os serviços no nível “básico” da escada correspondente.

Quanto às desigualdades intranacionais entre subgrupos populacionais em condições de maior vulnerabilidade e o resto da população, observa-se grande discrepância no acesso a serviços e instalações de água, esgotos e higiene entre residentes de áreas urbanas e rurais, entre pessoas de diferentes níveis educacionais e estratos econômicos, indígenas e não indígenas, brancos e não brancos e mesmo entre os sexos. Em relação às instalações, os maiores níveis de desigualdade entre os subgrupos são observados no acesso a redes de esgotos e fossas sépticas, seguido pelo acesso à água canalizada; a menor desigualdade foi observada no acesso a banheiros, que tende a possuir uma cobertura mais ampla. Quando se ajustam os níveis de acesso por meio dos “fatores de desigualdade”, observa-se que os países mais desiguais da América Latina e Caribe, no que se refere a instalações e serviços de água e esgotos, são a Bolívia, entre os países andinos; o Paraguai, entre os países do Cone Sul; a Nicarágua, entre os países da América do Norte e Central, e o Haiti, no Caribe.

Foi identificado ainda um elevado comprometimento de renda com serviços de esgotamento sanitário em diferentes países, com destaque para Brasil e Colômbia, embora sem considerar a aplicação de mecanismos existentes de tarifa social. Mesmo se estimando as condições de acessibilidade financeira apenas para as capitais dos países, aplicando-se algumas inovações metodológicas, como a padronização do nível de consumo e o foco nas parcelas mais pobres da população, percebesse que a acessibilidade financeira é uma questão relevante na Região.

Desenvolvendo-se uma análise das condições operacionais do setor de água e esgotos nos países, sobretudo a situação de pessoal, regulação e financiamento, verifica-se que, mesmo entre países que possuem suficiência de recursos para atendimento das metas, nenhum possui medidas para atendimento de grupos em situação de vulnerabilidade, o que pode aprofundar as desigualdades no acesso a serviços de água e esgotos e o cumprimento dos direitos humanos. A integração entre dados de acesso aos serviços com aspectos institucionais sugere que, em países com alto acesso a serviços de água e esgotos “geridos de forma segura”, hámelhor equacionamento de aspectos institucionais e financeiros, como a cobertura de custos de operação e manutenção pela tarifa e a suficiência de recursos para atendimento das metas.

Diante do esforço realizado e das lacunas existentes, especialmente no que se refere a metodologias de avaliação e monitoramento, são apresentadas as seguintes recomendações:

• A prioridade em praticamente todo o relatório foi o acesso a serviços e instalações residenciais, além de uma breve discussão sobre o acesso à água e ao esgotamento sanitário em escolas. No entanto, o acesso à água, esgotamento sanitário e higiene extrapola a fronteira do domicílio e também vai além das escolas e das unidades de saúde (que serão o objeto de estudo de uma das próximas publicações do JMP). Sob a ótica dos direitos humanos, é relevante desenvolver estudos sobre o acesso à água, esgotos e instalações de higiene também em espaços públicos (ruas, parques, praças, estações de transporte), prisões, locais de trabalho, orfanatos, instituições para pessoas com deficiência e idosas, entre outros locais onde pessoas vivem ou despendem grande parte de seu tempo de vida;

• As pesquisas MICS e DHS, em versões recentes, estão disponíveis apenas para parte dos países. É necessário o incremento da frequência de surveys, como os mencionados, abrangendo número crescente de países, de tal forma a atualizar a base de informações e permitir melhores análises, sobretudo de dados desagregados, e a gerar série histórica mais consistente para monitoramento dos ODS;

• Os dados das áreas rurais, tanto de acesso quanto os relacionados a aspectos institucionais, são de qualidade e quantidade bem inferior aos disponíveis para as áreas urbanas. Portanto, é urgente que os países passem a coletar as informações também para as áreas rurais de forma sistemática;

• É fundamental que as informações necessárias ao cálculo dos níveis de acesso a serviços “geridos de forma segura” de água e esgoto e a serviços “básicos” de higiene sejam coletadas em conformidade com os novos critérios de avaliação propostos pelo JMP, de modo a viabilizar um monitoramento eficaz das metas 6.1 e 6.2;

• É premente avançar em um monitoramento mais aprofundado dos padrões de desigualdades no acesso na região, inclusive com a definição e padronização das dimensões de desigualdade de maior interesse e que melhor reflitam o cumprimento dos direitos humanos ao abastecimento de água, esgotamento sanitário e higiene. Seria desejável a formação de um grupo de trabalho regional, para discutir, avaliar e propor novas formas de monitoramento das desigualdades no acesso aos serviços, permitindo melhor comparabilidade entre países e blocos sub-regionais;

• São muitos os desafios e lacunas no monitoramento da acessibilidade financeira, tanto de conceituação e caracterização quanto de geração de dados. Existe um grupo de especialistas vinculados à OMS/UNICEF (“Task Force on monitoring Inequalities for the 2030 Sustainable Development Agenda”) aprofundando no tema e elaborando propostas metodológicas para o seu monitoramento. Recomenda-se que seja acompanhado o trabalho deste grupo, de forma que os países, além de dar mais atenção ao tópico, possam contribuir na geração e disponibilização de dados de forma mais estruturada e se apropriar de eventuais avanços metodológicos;

• Embora o presente relatório não tenha tratado das metas 6.a e 6.b, recomenda-se atenção ao monitoramento de tais metas e integração entre o monitoramento das metas 6.1 e 6.2 e das demais metas do objetivo 6;

• Recomenda-se que os órgãos reguladores desempenhem um papel mais ativo no monitoramento das metas, sobretudo no cumprimento dos Direitos Humanos à Água e Esgotamento Sanitário;

• Sugere-se aos países que apliquem a metodologia TrackFin, desenvolvida pela OMS, com o intuito de aprimorar a avaliação dos fluxos econômicos no setor, conferindo ênfase à dimensão da acessibilidade financeira, bem como permitir a comparabilidade entre os países e blocos sub-regionais;

• É recomendado o aprofundamento da avaliação integrada entre dados de acesso (JMP) e aspectos institucionais (GLAAS) para estabelecer metodologias que permitam avaliações mais efetivas da influência das políticas públicas de saneamento no alcance das metas dos ODS.

3. PERSPECTIVAS DE ESPECIALISTAS DA FIOCRUZ

Os impactos da Covid-19 na saúde e socioeconômicos vão ser maiores em populações vulneráveis e excluídas. Nas favelas, em especial, a transmissão do vírus, os casos graves e as dificuldades de atenção podem ser ampliados. A possibilidade iminente de instalação de um lockdown esses espaços podem produzir graves impactos econômicos e sociais, tendo em vista que um grande contingente populacional desses territórios são trabalhadores informais e neste momento estão sem renda (4).

Neste cenário, torna-se urgente identificar e monitorar o impacto da Covid-19 nessas populações mais vulneráveis e estabelecer medidas de controle da pandemia adaptadas à realidade das favelas, envolvendo as políticas públicas que garantam o provimento das condições básicas de acesso à água, internet, eletricidade, gás e saneamento, bem como de renda mínima e alimentos. Além disso, não se pode desconsiderar que esses espaços são alvo frequente de repressão policial e conflitos territoriais que poderão ser agravados com a instalação de lockdown no estado do Rio de Janeiro. A identificação e o monitoramento têm como objetivo avaliar a efetividade das medidas de mitigação de transmissão, bem como a análise de cenários epidemiológicos de um conjunto de doenças e agravos, o que inclui a violência, no contexto destas populações mais vulneráveis.

A falta de condições adequadas de moradia, acesso à água e saneamento nas favelas dificulta enormemente a implementação de isolamento de pacientes sintomáticos respiratórios (em sua enorme maioria ainda não testados), dando um caráter de relevância à estratégia de criação de espaços de isolamento assistido por profissionais de saúde para evitar que os domicílios nessas áreas sejam locais de intensificação da transmissão. Para tanto é fundamental o estabelecimento de diálogo com as comunidades, os grupos e indivíduos afetados para um processo de adesão às ações de isolamento assistido, com a garantia de direitos e apoio social.

É fundamental a reorganização dos processos de cuidados na atenção primária, incluindo desde a visita domiciliar até o acesso a cuidados de maior complexidade, como a internação em UTI. Essa reorganização deve garantir proteção adequada ao profissional de saúde e simultaneamente preocupar-se com o cuidado das populações com mais comorbidades e vulneráveis, cujas dificuldades de acesso são prévias à pandemia pelo Covid-19 e cujas necessidades de atenção à saúde se mantêm, ou podem mesmo se agravar com a instalação de um lockdown.

Esta pandemia está ressaltando a necessidade de um conjunto de medidas imediatas (saúde pública, sociais, econômicas, entre outras) que considerem também o necessário acesso livre a redes de comunicação via internet para atualização de informações e organização dos grupos envolvidos com a resposta comunitária à pandemia; o financiamento para sustentação de iniciativas, projetos e dispositivos comunitários visando o enfrentamento da pandemia nas e com as comunidades; o estabelecimento de estratégias periódicas de avaliação e repactuação com as comunidades das iniciativas de controle e tratamento ao Covid-19 nessas populações. Estas medidas devem ser combinadas com estratégias de médio e longo prazos que rompam o ciclo vicioso da pobreza, da desigualdade e das doenças que impactam de modo mais amplo e grave as populações mais vulneráveis e excluídas. Estes processos devem ser acompanhados por informações e indicadores reunidos em uma sala de situação que promova a visibilidade das diversas situações das favelas, com acesso e participação ativa de moradores de favelas e outros cidadãos.

Há necessidade de afirmar o direito à água para todas as esferas da vida (para além dos usuários ativos com hidrômetro) conforme nossa integração da Fiocruz com o MPRJ e a recente Ação Civil Pública aprovada dando destaque para as favelas. Dados do PNAD 2019 sobre déficit de saneamento, em especial os 1,62 milhão de habitações sem banheiro/sanitário no Estado do Rio de Janeiro mostra que não evoluímos em relação ao Censo de 2010. Esse déficit histórico do Estado é um agravante enquanto barreira sanitária para o enfrentamento da Covid-19 (5).

A perda de agenda de políticas urbanas, como foi a luta pela reforma urbana no Brasil, que infelizmente perdeu-se na agenda pública. Assim, o reordenamento do espaço urbano também perdeu-se pelo caminho. Assim, as favelas persistem como perversidade coletiva, na nossa paisagem urbana brasileira (6).

E é nas favelas que persistem os grandes déficits de cobertura de abastecimento de água e, sobretudo, de esgotamento sanitário.

O abastecimento de água tem intermitência no acesso à água nos domicílios de populações pobres e, em geral, a classe média e alta não sofrem desse problema. E, há ainda uma proporção significativa nas áreas urbanas em que não há sequer a conexão com a rede pública.

Essa é a maior vulnerabilidade urbana no Brasil: a intermitência e a não conexão com a rede pública. Falando das duas grandes pandemias, Zika e Corona, a vulnerabilidade no acesso à água provocou a proliferação do Aedes e a transmissão do Zika, no primeiro caso e, no caso do Corona vulnerabiliza na higiene doméstica de lavagem das mãos, máscaras, roupas, e outros utensílios. Com a expansão do vírus para o interior do país e para as favelas das grandes cidades esse é um grande problema.

Com relação ao esgotamento sanitário, o déficit é muito maior de cobertura por rede pública e, maior ainda no tratamento de esgotos.

Com a perspectiva da emergência de novos vírus, em decorrência da expansão do desmatamento relacionado ao agronegócio e as mudanças climáticas em decorrência das emissões de CO2, as condições de vida nas urbes tenderão a serem atingidas pelas grandes pandemias, como nos casos recentes do Zika e Corona vírus.

4. MENSAGENS CHAVE (7)

Maximizar o acesso à água potável, especialmente para as comunidades vulneráveis. Manter, sempre que possível, a continuidade dos serviços de água, o tratamento adequado e a acessibilidade para todos, garantindo que a questão econômica não seja um obstáculo. Para as áreas não atendidas, medidas temporárias podem ser tomadas para facilitar o acesso à água potável, ou para facilitar o tratamento doméstico de água. Sem acesso à água potável, as pessoas correm maior risco de contrair outras doenças transmitidas pela água e, portanto, são mais suscetíveis a ficarem gravemente doentes se infectadas com COVID-19.

Promover e facilitar as boas práticas de higiene, por exemplo, liderando campanhas de conscientização sobre a transmissão da COVID-19 e estabelecendo estações de lavagem de mãos em locais de alto risco, como centros de saúde, estações rodoviárias, ferroviárias e hidroviárias, mercados e centros comerciais.

Maximizar o acesso a serviços de saneamento básico. Embora o conhecimento atual sobre a dinâmica de contaminação aponte que a transmissão da COVID-19 por meio de rota fecal-oral é improvável, há evidências de que aerossóis e formação de gotículas de águas residuais contaminadas poderiam transmitir o vírus2. Medidas imediatas para minimizar a contaminação fecal pela população.

5. INICIATIVAS DA FIOCRUZ

Desde a notificação da Covid-19, pesquisadores e especialistas de todo o mundo, incluindo os da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), estão construindo conhecimento para o enfrentamento da doença, considerada pela Organização Mundial da Saúde a maior crise sanitária mundial da atualidade. Como vem ocorrendo em diversas partes do mundo, neste momento, é de suma importância a união das esferas pública e privada para o fortalecimento das ações de combate à pandemia. Desta forma, a Fiocruz lança o programa Unidos contra a Covid-19, voltado a indivíduos e organizações interessados em dar sua contribuição neste momento de crise sanitária (8).

A Fiocruz em parceria com indivíduos e organizações públicas e privadas interessadas em contribuir com ações de combate à pandemia de Covid-19 apresenta os resultados e importantes contribuições para este momento de crise sanitária. A Vice-Presidência de Gestão e Desenvolvimento Institucional da Fiocruz, por meio do seu Escritório de Captação de Recursos, coordena a mobilização dos recursos captados, além de ser a responsável pela gestão e prestação de contas dos valores doados à Fiocruz. Ao término da pandemia, todas as iniciativas realizadas e seus respectivos resultados serão apresentados em um relatório digital disponibilizado nesta plataforma. A Fiocruz agradece a parceria para o enfrentamento do novo coronavírus.

TOTAL ARRECADADO ATÉ O MOMENTO:
R$ 134.389.572,45

Iniciativas do programa Unidos contra a COVID-19: Produção de Kits para Diagnóstico; Assistência à Pacientes, Pesquisa, Capacitação, Apoio à Comunidade, Comunicação Confiável. Quanto ao apoio à comunidade, A Fiocruz realiza ações de comunicação e distribuição de insumos direcionadas aos moradores dos territórios onde estão instalados seus campi, com o objetivo de auxiliar na prevenção do novo coronavírus. Visando ampliar ainda mais essas iniciativas, a Fundação também lançou uma Chamada Pública para Apoio a Ações Emergenciais junto a Populações Vulneráveis, que visa financiar projetos em todo território nacional que contribuam para prevenir o contágio entre esses grupos sociais ou garantir condições mínimas de sobrevivência a famílias impactadas economicamente pelas medidas de isolamento social em vigência.

Além da iniciativa Unidos contra a COVID -19, destaca-se também a iniciativa Observatório Covid-19 (9)Fiocruz tem como função produzir informações para ação. Seu objetivo geral é o desenvolvimento de análises integradas, tecnologias, propostas e soluções para enfrentamento da pandemia por Covid-19 pelo SUS e pela sociedade brasileira.

O observatório está estruturado de modo colaborativo, permitindo que as iniciativas e os trabalhos já desenvolvidos nos diversos laboratórios, grupos de pesquisas e setores da Fiocruz, no âmbito de suas competências e expertises, desenvolvam suas atividades de forma ágil, em redes de cooperações internas e externas, para a produção e divulgação de materiais para o enfrentamento da pandemia. Sua dinâmica de trabalho envolve a produção de informações, dashboards, análises, desenvolvimento de tecnologias e propostas.

Encontra-se inicialmente organizado em quatro grandes eixos, sendo estes: 1) Cenários Epidemiológicos; 2) Medidas de Controle e Organização dos Serviços e Sistemas de Saúde; 3) Qualidade do Cuidado, Segurança do Paciente e Saúde do Trabalhador; 4) Impactos Sociais da Pandemia.

6. LEGADO PARA SOCIEDADE

Além da ampliar as ações da Fiocruz no enfrentamento à Covid-19 neste momento de pandemia, as doações recebidas deixarão um grande legado para toda a sociedade. Diferentemente dos hospitais de campanha, instalados temporariamente para ações em períodos de crise, o moderno Centro Hospitalar para a Pandemia da Covid-19 – Instituto Nacional de Infectologia, no Rio de Janeiro, será uma construção permanente, que aliará equipamentos de ponta a profissionais dedicados e altamente especializados: uma grande vitória para o Sistema Único de Saúde (SUS). No novo Centro, também serão conduzidos estudos clínicos com o intuito de viabilizar tratamentos e formas de prevenção à Covid-19. Conquistas que, mesmo a longo prazo, continuarão impactando positivamente a saúde pública de todo o mundo.

(1) https://nacoesunidas.org/onu-coronavirus-nos-mostra-como-nossa-saude-esta-vinculada-anatureza/amp/
(2) UN-Habitat COVID-19 Response Plan, 2020
(3) Ministério da Saúde. FiOCRUZ – Fundação Oswaldo Cruz. Instituto René Rachou. A Agenda 2030 para abastecimento de Água, Esgotamento Sanitário e Higiene na América Latina e Caribe: um olhar a partir dos direitos humanos. Coordenação Geral: Léo Heller
(4) Christovam Barcellos – Fiocruz – ICICT. Vice Diretor de Ensino e Pesquisa
(5) Alexandre Pessoa – Fiocruz – Escola Politécnica Joaquim Venâncio
(6) André Monteiro – Fiocruz – Instituto Ageeu Magalhães – Recife
(7) ONU-Habitat COVID-19
(8) https://unidos.fiocruz.br/
(9) https://portal.fiocruz.br/observatorio-covid-19

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