13,5 milhões de pessoas vivem na extrema pobreza no Brasil, maior nível em 7 anos

No período de 2012 a 2018, percentual de miseráveis subiu de 5,8% para 6,5% da população, diz a Síntese de Indicadores Sociais do IBGE

Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que o Brasil possuía, em 2018, 13,5 milhões de pessoas com renda mensal per capita inferior a R$ 145 ou US$ 1,9 por dia, base utilizada pelo Banco Mundial para identificar a condição de extrema pobreza. Esse contingente é igual à população de países como Bolívia, Bélgica, Cuba, Grécia e Portugal. O percentual ficou estável em relação a 2017, mas subiu quando consideramos o período de 2012 a 2018, de 5,8% para 6,5% da população, deixando o país ainda mais distante do cumprimento do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nº 1, que prevê acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares.

A Síntese de Indicadores Sociais (SIS) do IBGE também aponta que, apesar de um milhão de pessoas terem deixado a linha de pobreza (rendimento abaixo de US$ 5,5, também critério do Banco Mundial), 52,5 milhões de pessoas, ou um quarto da população do país, ainda vivem com menos de R$ 420 per capita por mês. O percentual, de 25,3%, é menor do que o apurado em 2017 (26,5%), porém está distante do melhor ano da série, 2014, quando este número ficou em 22,8%.

“Em 2012, foi registrado o maior nível da série para a pobreza, 26,5%, seguido de queda de quatro pontos percentuais em 2014. A partir de 2015, com a crise econômica e política e a redução do mercado de trabalho, os percentuais de pobreza passaram a subir com pequena queda em 2018, que não chega a ser uma mudança de tendência”, avaliou Pedro Rocha de Moraes, analista do IBGE.

Os dois estados brasileiros com maior proporção de miseráveis e pobres são Maranhão e Amazonas. Quase metade dos brasileiros e brasileiras vivendo abaixo da linha da pobreza estão no Nordeste. Aliás, todos os estados das regiões Norte e Nordeste apresentam indicadores de pobreza acima da média nacional. Houve redução da pobreza principalmente na região Sudeste (menos 714 mil pessoas nessa condição, dos quais 623 mil apenas no estado de São Paulo). Já Santa Catarina apresentou o menor percentual de pobres.

Ainda de acordo com o IBGE, a pobreza atinge principalmente a população negra (pretos e pardos), que representa 72,7% dos pobres. Em números absolutos, temos 38,1 milhões de pessoas. Além de cor, a pobreza também tem gênero. As mulheres pretas e pardas compõem o maior contingente, com 27,2 milhões delas vivendo abaixo da linha da pobreza.

Em relação à renda, temos que o rendimento domiciliar per capita médio da população negra é quase metade do rendimento de pessoas de cor branca: R$ 934, contra R$ 1.846. A PNAD Contínua, divulgada em outubro, já havia mostrado que a renda do trabalho do 1% mais rico é 34 vezes maior que da metade mais pobre. A precariedade opera por todos os lados e deixa essas pessoas cada vez mais para trás: 56,2% da população abaixo da linha da pobreza não têm acesso a tratamento de esgoto, 25,8% não são atendidos por rede de água e 21,1% não contam com coleta de lixo.

Com informações da Agência IBGE Notícias.

Foto: Rita Martins/Agência IBGE Notícias

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