Mapa da Desigualdade 2019 mostra que feminicídios aumentaram 167% em São Paulo

Publicação da Rede Nossa São Paulo traz dados de 10 diferentes áreas da capital paulista e 53 indicadores

A Rede Nossa São Paulo lançou, na última terça-feira (5/11), o Mapa da Desigualdade 2019. A publicação traz dados de 10 diferentes áreas da capital paulista e 53 indicadores que mostram a realidade dos distritos da cidade mais rica do país, por meio do “desigualtômetro”. Entre as novidades desta edição está o comparativo de violência contra a mulher, incluindo o feminicídio, que aumentou 167%, enquanto que as ocorrências de violência subiram 51%.As maiores taxas de ocorrência nos dois indicadores estão concentradas nos distritos da Sé e Barra Funda, mas os números também são altos em distritos como Brás, Pari e República.

Em relação ao feminicídio, o Mapa da Desigualdade 2019 revela que a média de São Paulo é de 0,9 para cada dez mil mulheres na faixa etária de 20 a 59 anos. A distância entre o melhor e o pior indicador é de 56,3 vezes. No caso da violência em geral, a proporção de ocorrências de violência contra a mulher para cada dez mil mulheres na faixa etária de 20 a 50 anos é de 102,3 na Vila Andrade (melhor indicador), mas chega a 803,9 no bairro da Sé, resultando em um “desigualtômetro” de 7,9 vezes. Em toda a cidade, a média é de 252,7.

A violência contra o público LGBTI+ e a violência de racismo e injúria racial também são destaques do novo Mapa. Para a violência homofóbica e transfóbica, o pior valor foi encontrado foi no bairro da República, com média de 2,4 para a cidade e “desigualtômetro” de 18 vezes. Em relação a 2018, houve aumento de 50% das ocorrências deste tipo na cidade. Já o racismo e a injúria racial foram mais encontrados no bairro da Sé, com média de 1,8 para a cidade e “desigualtômetro” de 107 vezes.

Na prática, o estudo revela que há um abismo na realidade social entre bairros pobres e ricos de São Paulo. Por exemplo, enquanto no bairro rico de Moema a média de idade com que as pessoas morreram em 2018 foi de 80,57 anos, em Cidade Tiradentes, extremo leste da cidade, esse valor é de 57,31 anos, significando uma diferença de mais de 20 anos de idade entre os dois distritos.

Já a proporção de adolescentes grávidas em Marsilac, bairro pobre do extremo sul de São Paulo, é 53 vezes maior do que a de Moema, sendo que a variação entre 2018 e 2019 foi de 114%. O Mapa revela ainda que a proporção de óbitos de crianças menores de um ano, para cada mil crianças nascidas vivas, é de apenas 1,1 em Perdizes e chega a 24,6 em Marsilac e a 24,3 na República. A mortalidade infantil na capital paulista aumentou 174% entre o levantamento anterior e o atual.

De acordo com a Rede Nossa São Paulo, 11 dos 53 indicadores aparecem zerados no ranking, isto é, com zeros em relação à oferta de equipamentos e acervos. Os três indicadores com maior número de zeros são “Cinemas”, “Centros culturais, casas e espaços de cultura” e “Museus”.

O Mapa da Desigualdade é publicado desde 2012 a partir de dados de fontes públicas e oficiais, gerados e fornecidos pela Prefeitura de São Paulo. A ideia é ajudar gestores municipais a identificar prioridades e necessidades da população em seus distritos, colocando-se também como um instrumento de políticas públicas mais inclusivas.

Com informações da Rede Nossa São Paulo, Universa/UOL e Folha.

Foto: Elaine Patricia Cruz/Agência Brasil

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