Amazônia “sem lei”: relatório denuncia desmatamento, assassinatos e sabotagem do governo

Documento Máfias do Ipê: como a violência e a impunidade impulsionam o desmatamento na Amazônia brasileira mostra que redes criminosas de extração ilegal de madeira estão por trás dos casos investigados

Antecipando-se à semana da Greve Mundial pelo Clima, que vai de 20 a 27 de setembro, a ONG Human Rights Watch (HRW) divulgou um novo relatório sobre a situação da Amazônia. O documento de 169 páginas, intitulado “Máfias do Ipê: como a violência e a impunidade impulsionam o desmatamento na Amazônia brasileira”, mostra como acontece o desmatamento ilegal naquela região, os atos de violência praticados contra a população local, profissionais do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) e outras pessoas que fazem a defesa da floresta.

Segundo a organização, que entrevistou cerca de 170 pessoas, redes criminosas que fazem extração ilegal de madeira estariam por trás dos casos investigados. Entre os entrevistados estavam 60 membros de povos indígenas da região amazônica e moradores dos estados do Maranhão, Pará e Rondônia, além de servidores públicos em Brasília.

Dados reunidos pela HRW revelam que mais de 300 pessoas foram assassinadas durante a última década em decorrência de conflitos pelo uso da terra e por recursos naturais na Amazônia. Uma parte significativa desses crimes está ligada à extração ilegal de madeira. Os dados são de casos documentados pela própria ONG e dados utilizados pela Procuradoria Geral da República, previamente coletados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT).

Em pelo menos 28 assassinatos, a maioria cometida a partir de 2015, há evidências sólidas da participação de pessoas envolvidas com desmatamento ilegal que eliminaram quem oferecia obstáculos para suas atividades criminosas. As vítimas são, principalmente, indígenas ou moradores da região e agentes públicos que denunciaram a exploração ilegal de madeira. Também há casos de intimidação de pequenos agricultores, em uma região dominada pela impunidade: dos mais de 300 assassinatos que a CPT registrou desde 2009, apenas 14 foram levados a julgamento. Dos 40 casos de ataques ou ameaças, nenhum foi julgado.

De acordo com o relatório, o Brasil reduziu o desmatamento na Amazônia em mais de 80% entre 2004 e 2012. No entanto, a partir de 2012, o desmatamento voltou a crescer, atingindo 7.500 quilômetros quadrados em 2018. Matéria publicada pelo Huffpost Barsil afirma que a publicação atesta o fracasso do Estado brasileiro em investigar e punir os responsáveis. Crise que vem se agravando no governo do presidente Jair Bolsonaro, que retrocedeu na aplicação das leis de proteção ambiental, enfraqueceu agências federais e vem atacando sistematicamente organizações e pessoas que se colocam como defensoras da floresta.

Com informações do Huffpost Brasil

Foto: Arquivo/Agência Brasil

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