Em BH, GT Agenda 2030 e convidados reforçam necessidade da adoção da sustentabilidade

Debate realizado na capital mineira fez parte de série de eventos que percorre o país, com financiamento da União Europeia, para divulgar e incentivar a adoção dos ODS nos estados

Representantes de organizações civis, da Assembleia Legislativa de Minas e de universidades se reuniram, em Belo Horizonte, nesta quarta-feira, 21/08, para debater como é possível, no dia a dia, adotar iniciativas que facilitem a implantação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). O encontro foi promovido pelo GT Agenda 2030, o Fórum Brasileiro de Economia Solidária e o Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS), com apoio da organização Moradia e Cidadania. O evento integra a programação de debates e oficinas práticas, financiada pela União Europeia, que está sendo realizada em todo o Brasil, até o fim do mês de agosto. Desde abril, o GT e seus convidados passaram também por Pernambuco, Maranhão, Santa Catarina, Brasília, Rio Grande do Sul, São Paulo, Pará e Roraima. Mato Grosso será o próximo destino, dia 29, e Brasília volta a recebê-los para um desfecho, no dia 30/08.

“Trouxemos esclarecimentos pra(sic) muita gente que nem sabia o que eram os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, ODS, por exemplo. E o mais importante é que nós discutimos sobre o consumo consciente e a geração de renda. Principalmente para mulheres, porque nós somos 52% da população e arrimo de famílias”, resumiu Francisca Maria da Silva, representante da coordenação do Fórum Brasileiro de Economia Solidária, uma das organizações associadas ao GT Agenda 2030.

Os ODS são um conjunto de 17 medidas, com metas previamente estipuladas e que devem ser atingidas nos próximos 11 anos para promover o bem-estar geral da população mundial e do planeta. Chamado de Agenda 2030, este plano de ação global foi ratificado por 193 países, inclusive o Brasil, nas Organizações das Nações Unidas (ONU) em 2015.

Da lista de compromissos, além do empoderamento das mulheres – mencionado por Francisca da Silva – para assegurar a igualdade de gênero e a distância em termos econômicos, sociais e de direitos entre homens e mulheres, também faz parte a promoção da economia solidária. O tema, descrito no ODS de número 12 (Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis) também fez parte das discussões.

Entre as recomendações para o alcance do desenvolvimento sustentável está evitar o que causa desperdício, o volume exagerado de lixo e o uso de recursos naturais maior do que o necessário. E assim produzir e consumir apenas o que necessitamos para interferir positivamente nas nossas cidades e nosso planeta.

“Agenda 2030 nos chama a atenção e pede que cultivemos o respeito à natureza, à cooperação e ao comércio justo, pondo fim ao abuso de recursos naturais – que são findáveis – e ao volume de lixo que geramos pelo consumo desenfreado”, reforçou mais uma vez a representante do Fórum Brasileiro de Economia Solidária.

Ao tocar em recursos naturais, os participantes relembraram da situação da água, sobretudo nas cidades mineiras que enfrentaram problemas com o estouro de barragens de minérios. Segundo eles, muitas regiões ainda sofrem com o desabastecimento.

O caso ocorrido em Brumadinho, no começo deste ano, foi juntado ao de Mariana, num estudo feito pelos experts do GT Agenda 2030, que faz parte dos capítulos do Relatório Luz 2019. O relatório é uma análise de como o Brasil tem se comportado no cumprimento das metas previstas em cada um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. A avalição anual é feita por meio de dados oficiais e evidências, desde 2017.

Neste estudo sobre as tragédias de Minas, os especialistas mostram – que, além de serem responsáveis pelas mortes e desaparecimentos de 297 pessoas e um aborto, por espalharem lama contaminada atingindo hectares de florestas nativas; enterrando nascentes, cursos d’água e contaminando importantes mananciais, chegando ao oceano – os estouros interferiram diretamente, de forma negativa, no avanço de quase todos os 17 compromissos do plano global de sustentabilidade. Entre eles, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 1, 2, 3, 5, 9, 11, 12 e 16. Além dos ODS 14 e 15, que tratam do uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos e do uso sustentável dos ecossistemas terrestres. E ainda os ODS 8 e 10, porque evidenciaram que o crescimento econômico pautado na grande mineração se provou destruidor dos seres humanos e da natureza, sendo incompatível com o planejamento para um mundo sustentável.

O capítulo foi intitulado “Como a maior mineradora do mundo impede que o Brasil atinja os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável” e é o alerta final do Relatório Luz 2019, lançado nesta quinta-feira dia 22/08, em Brasília.

O GT Agenda 2030, Grupo de Trabalho da Sociedade Civil para a Agenda 2030, é uma coalizão com mais de 40 ONGs, movimentos sociais, fóruns e fundações brasileiras responsável pela difusão, promoção e monitoramento da implementação dos ODS no país. Ele foi criado e atual desde setembro de 2015.

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