Estudo aprofunda causas e consequências do casamento infantil no Brasil

País detém a alarmante quarta posição no ranking mundial de uniões de meninas com menos de 18 anos, segundo dados do Unicef

Um estudo lançado pela Plan International Brasil, no último dia 25 de junho, em evento no auditório do Ministério Público do Estado de São Paulo (foto), aprofunda causas e consequências do casamento infantil no país. Entre as causas identificadas na pesquisa “Tirando o véu”, realizada em parceria com a Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), estão: gravidez, perda da virgindade, saída de lares conflituosos, desejo/amor, desejo pela maternidade e vulnerabilidade socioeconômica.

O Brasil detém a quarta posição no ranking mundial de uniões de meninas com menos de 18 anos, segundo dados do Unicef. A investigação foi feita utilizando o método quantitativo, em nível nacional, para coleta de dados estatísticos, e também o método qualitativo local, com grupos focais na Bahia (Salvador, Camaçari e Mata de São João) e no Maranhão (Codó).

Participaram do estudo meninas casadas e não casadas abaixo de 18 anos, mulheres de 18 a 25 anos que se casaram na adolescência, meninos não casados, maridos que se casaram com adolescentes e familiares/responsáveis. Os pesquisadores também entrevistaram líderes comunitários e religiosos, além de agentes públicos, especialistas e organizações da sociedade civil.

De modo geral, pode-se dizer que as meninas se casam com homens mais velhos, com maior instrução formal e melhores perspectivas econômicas, o que as coloca em posição de desigualdade, sujeitas a violências de gênero. O homem assume o papel de provedor, responsável por trabalhar e levar dinheiro e proteção à família, e a mulher o papel de cuidadora da casa e dos filhos.

“O casamento infantil é prematuro, pois o início da vida conjugal é problemático para as meninas e adolescentes e concorre com outros direitos, como a educação. É também forçado, pois ressalta as desigualdades estruturais que propiciam essa realidade para meninas no mundo todo, estando bem longe de ser uma escolha, ao levarmos em conta as baixas perspectivas que elas têm”, explica a diretora-executiva da Plan International Brasil, Cynthia Betti. A organização integra o GT Agenda 2030.

De acordo com o estudo, as consequências mais diretas do casamento infantil são a gravidez precoce, o abandono escolar e a perpetuação do ciclo de dominação e reprodução das desigualdades de gênero. As meninas são afetadas pela intensificação do trabalho doméstico e com a entrada precária ou tardia no mercado de trabalho. Outras consequências são a violência doméstica, o despreparo emocional e psíquico, a perda de liberdade e mobilidade e a limitação dos projetos de vida.

Baixe aqui a íntegra do estudo.

Com informações da Plan International Brasil

Foto: Plan International Brasil/Divulgação.

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