Recife recebe 10ª edição do fórum UNGASS/AIDS Brasil

Evento reúne 80 ativistas e especialistas em HIV/Aids do Brasil e representantes de Agências de Cooperação Internacionais

Teve início nesta quarta-feira (7/11), o X Fórum UNGASS-AIDS Brasil, com o tema “Prevenção Combinada. Do global ao local: vamos combinar?”. O evento segue até quinta-feira (8/11), em Recife/PE, e promove debates sobre a atual conjuntura nacional da resposta ao HIV, focando na política de prevenção combinada adotada pelo Brasil. Estarão presentes 80 ativistas do Movimento Nacional de Aids e saúde, Agências de Cooperação Internacional, representantes de Agências da ONU e de governos – as principais lideranças brasileiras no campo do HIV.

Durante o evento, os debates seguem alinhados aos compromissos assumidos pelo Brasil no âmbito da ONU, analisando oportunidades e desafios nacionais para alcançar as metas de prevenção do HIV estabelecidas na “Declaração Política sobre o Fim da Aids: acelerando a resposta para impulsionar a luta contra o HIV e por fim à epidemia de Aids até 2030”.

Tais compromissos, inclusive o de que todos os países devem investir pelo menos 25% dos recursos para a Aids em prevenção, foram fortalecidos em 2017, com a criação da “Coalizão Global para Prevenir o HIV”, coordenada pela UNAIDS e pelo UNFPA e que propõe um mapa de ação para avançar com a prevenção combinada em todo o mundo.

O Fórum UNGASS/ AIDS Brasil é uma plataforma criada pela Gestos – Soropositividade, Comunicação e Gênero – entidade co-facilitadora do GT Agenda 2030 – em 2003 e adotada posteriormente em 15 outros países da Ásia, África, América Latina e Caribe e o Leste Europeu para integrar e atualizar ativistas nacionais sobre debates internacionais sobre Aids.

A 10ª edição do fórum apresenta a Coalizão Global de Prevenção, fundada em 2017 e incluirá uma consulta sobre a recém-criada Parceria Global contra o Estigma e a Discriminação relacionados ao HIV e a Aids.

O assessor de projetos da Gestos Jair Brandão avalia que o estigma e a discriminação relacionados ao HIV continuam sendo barreiras tanto ao acesso aos meios de prevenção, quanto ao tratamento.

“A prevenção combinada reúne as novas tecnologias de prevenção ao HIV, nas quais estão disponíveis várias formas de se prevenir, incluindo PreP, PEP, testagem para gestante, prevenção para casais sorodiferentes, entre outras opções. O objetivo é dar autonomia para cada pessoa e segmento da população poder escolher o tipo de prevenção que considera mais adequada para si. As estratégias incluem ações especiais para as populações em maior vulnerabilidade para o HIV.”
Jair Brandão | Gestos

O Brasil está listado como local prioritário pelo UNAIDS e é um país estratégico para este debate, pois os resultados alcançado no país têm impacto junto aos demais países da América Latina. É importante lembrar que, no Brasil, 25% do recursos para a Aids devem ser investidos em prevenção.

O Relatório Luz 2018, documento produzido pelo GT Agenda 2030, aponta – no capítulo dedicado ao ODS 3: Saúde e Bem-Estar – que o Brasil registrou 882.810 casos de AIDS em 2017. Apesar da terapia antirretroviral ser disponibilizada universalmente (ainda que com falhas na distribuição e acesso) e apesar da queda na mortalidade (que passou de 5,9 para 5,2 óbitos por 100 mil hab. no período), a situação preocupa.

O documento mostra que há coeficientes acima da média em vários estados da federação e, entre 2006 e 2016, a incidência quase triplicou entre os homens de 15 a 19 anos (de 2,4 para 6,7 casos por 100 mil hab.), passando de 16 para 33,9 por 100 mil/ hab. entre a faixa de 20 a 24 anos. Houve aumento também entre as mulheres na faixa de 15 e 19 anos (de 3,6 casos para 4,1 por 100 mil hab.); as gestantes com HIV passaram de 2,1 casos por 1.000 hab. para 2,6 por mil no período.

O Relatório Luz 2018 indica ainda que, em 2016, a prevalência do HIV entre homens que fazem sexo com homens (HSH) foi de 19,8% na faixa acima dos 25 anos e de 9,4%, na faixa de 18 a 24 anos; entre os conscritos a taxa foi de 0,12%. A população de travestis e mulheres trans apresentou prevalência de 30% em 201718 e a transmissão vertical foi responsável por 20,5% dos casos de HIV em crianças menores de 5 anos, dados que indicam uma grave crise na resposta brasileira ao HIV, antes considerada um exemplo para o mundo.

X Fórum UNGASS-Aids Brasil

O X Fórum UNGASS-Aids Brasil, além de debater com o movimento nacional de luta contra a Aids as agendas nacional e internacional no campo da prevenção combinada, irá elaborar estratégias coletivas para o monitoramento dos recursos disponibilizados à prevenção combinada no Brasil.

A reunião de especialistas tem o objetivo maior de colaborar com os esforços nacionais e internacionais para controlar a epidemia de Aids até o ano de 2030, como preconizado pela Agenda 2030, sem deixar ninguém para trás, especialmente olhando as populações em maior situação de vulnerabilidade frente ao HIV e à Aids.

O evento é financiado pelo Departamento de IST/HIV/Aids do Ministério da Saúde e UNESCO (DIAHV/MS/UNESCO), com apoio da ONU Mulheres, da Delegação de ONG da Junta Diretora da UNDAIDS e da Rede Global de Pessoas que vivem com HIV (GNP+, da sigla em inglês).


Serviço

X Fórum UNGASS-AIDS Brasil
Tema: “Prevenção Combinada. Do global ao local: vamos combinar?”
Data: 7 e 8 de novembro
Horário: 08h30 às 18h30
Local: Hotel Jangadeiro (Av. Boa Viagem, 3114, Boa Viagem, Recife/PE)

 

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